A Exaltação da feminilidade: o amor como transcendência em Rosa Maria Mano - Jandira Zanchi
A efervescência poética que assola a literatura brasileira tem nos trazido revelações que, por si mesmas, são êxtase. Um conjunto de vozes dispare e heterogêneo, lirismo exacerbado, métricas curtas e reais, boas dosagens de razão e concretismo, metafísicas e sabedorias deitadas ao cumprido da inspiração. O amor, tema que na poesia se eterniza e não questiona, tem tido alguns bons artífices. Em um tempo que acua a feminilidade, tentando dar-lhe contornos e prognósticos masculinos ou híbridos, para somente assim aceita-la, redimi-la, uma enxurrada, de boa qualidade, de poetas mulheres levanta a bandeira da rebelião no poema: e desnudam desejos, úteros, coração, emocionalidades, totalmente decididas a entrar na arena da razão e da criação vestidas de si mesmas, jamais espelho de seus algozes e/ou amantes. Rosa Maria Mano é maiúscula nessa redefinição de poética e abstração. Tímida, hibernada e vulcânica...